Nos últimos anos, a Inteligência Artificial ganhou espaço em diversas áreas, inclusive na advocacia. Muitos profissionais já utilizam ferramentas de IA para realizar cálculos rápidos em processos judiciais. A praticidade é inegável: em poucos segundos, surgem números que parecem resolver questões complexas. Mas será que esses resultados realmente substituem o trabalho de um perito contábil?
A resposta está na diferença entre velocidade e profundidade. A IA entrega resultados imediatos, mas não considera todas as variáveis, normas e peculiaridades de cada caso. O perito, por outro lado, analisa documentos, interpreta contratos, aplica legislação específica e identifica inconsistências que passam despercebidas por algoritmos. É justamente essa análise crítica que garante que o cálculo seja sólido e confiável.
Em testes comparativos, a discrepância entre cálculos feitos por IA e por peritos contábeis foi significativa. Enquanto a IA simplifica fórmulas e ignora detalhes relevantes, o perito constrói um laudo fundamentado, capaz de resistir a questionamentos e servir como base segura para decisões judiciais. O advogado que confia apenas na IA corre o risco de apresentar números frágeis, que podem ser facilmente contestados.
Isso não significa que a tecnologia seja inimiga. Pelo contrário: a IA pode ser uma ferramenta complementar, útil para organizar dados ou gerar simulações iniciais. Mas o papel do perito continua essencial. Ele não apenas calcula, mas explica, contextualiza e dá credibilidade ao resultado.
Em um cenário cada vez mais tecnológico, o diferencial está na combinação: usar a IA como apoio, mas contar com o olhar humano para validar e transformar números em argumentos sólidos. Afinal, cálculos podem ser automáticos, mas a confiança só nasce da análise profissional.