Como escolher um perito contábil: 7 critérios que advogados e empresas devem avaliar

O perito contábil é peça estratégica em processos trabalhistas, cíveis e previdenciários, pois transforma números em análises técnicas claras e confiáveis. Sua escolha não deve ser automática: experiência adequada, comunicação clara, metodologia sólida, gestão de prazos, ética, revisão cuidadosa e postura de parceria são fatores que garantem previsibilidade, reduzem riscos e fortalecem a estratégia de advogados e empresas em decisões relevantes.

Em processos trabalhistas, cíveis e previdenciários, o perito contábil pode ser o ponto de virada entre uma tese bem sustentada e um resultado comprometido por falhas técnicas. Mais do que “alguém para fazer contas”, o perito é o profissional que traduz documentos e números em um raciocínio técnico claro, verificável e útil para a tomada de decisão.

E é justamente por isso que escolher um perito contábil não deveria ser um passo automático. Um bom trabalho pericial traz previsibilidade, reduz risco, evita retrabalho e fortalece a estratégia do advogado — além de oferecer às empresas mais segurança em decisões que envolvem valores relevantes e impactos financeiros.

1) Experiência no tipo de demanda

Nem toda perícia é igual. Um perito pode ser excelente em rotinas trabalhistas e não ter o mesmo repertório em demandas cíveis, previdenciárias ou tributárias. Antes de fechar, vale alinhar: qual é o objeto da discussão, qual a natureza do cálculo e quais documentos serão necessários. Quanto mais aderente for a experiência do perito ao tipo de caso, menor tende a ser a margem de erro e maior a agilidade na condução.

2) Clareza na comunicação (com advogado e com o juízo)

Um laudo tecnicamente correto, mas mal explicado, pode perder força. O advogado precisa de um parceiro que consiga traduzir o técnico para o estratégico: explicar premissas, justificar metodologia e apontar riscos de interpretação. Para empresas, isso também conta: relatórios claros facilitam decisões internas e negociações.

3) Metodologia e fundamentação

Perícia forte não é “resultado”, é caminho. Pergunte como o perito estrutura o trabalho: como organiza documentos, quais premissas adota, como valida informações e como documenta cada etapa. Uma boa metodologia permite que o laudo “se sustente” mesmo quando é questionado ou quando há divergência entre as partes.

4) Organização e gestão de prazos

Em ambiente jurídico, prazo não é detalhe — é parte da estratégia. Um perito confiável deixa claro o que precisa receber, em quanto tempo entrega e quais fatores podem impactar o cronograma (volume documental, necessidade de diligências, complexidade do cálculo). Esse alinhamento evita ansiedade, ruído e retrabalho.

5) Postura técnica e ética

Imparcialidade e responsabilidade técnica são pilares. Mesmo quando contratado por uma parte, o trabalho precisa ser sério, transparente e coerente. Isso protege o advogado (e a empresa) de sustos futuros: inconsistências, questionamentos e desgaste de credibilidade.

6) Capacidade de revisão e validação

Cálculo não é “uma passada”. O ideal é que o perito trabalhe com revisão interna, validações e checagens, principalmente em demandas com muitas variáveis. Esse cuidado é o que separa um documento apenas “entregue” de um documento realmente pronto para sustentar decisões.

7) Visão de parceria (e não apenas execução)

Perito bom não entra no processo “para cumprir tabela”. Ele ajuda a enxergar riscos, identificar pontos sensíveis, levantar inconsistências documentais e orientar tecnicamente o que pode fortalecer ou fragilizar uma linha argumentativa. Para empresas, essa parceria também pode existir fora do contencioso: com pareceres técnicos e análises preventivas.

Conclusão

Contratar um perito contábil é uma decisão estratégica. Quando a escolha é bem feita, o advogado ganha segurança e consistência técnica para sustentar a tese; a empresa ganha clareza e previsibilidade para decidir, negociar e reduzir riscos.

Se a ideia é ter um parceiro técnico que una rigor, clareza e responsabilidade, o caminho começa por avaliar critérios objetivos — e não apenas preço ou urgência.

Autor

PG Contábil Pericia Judicial - Blog - Autor - Gutemberg Pires

Gostou? Compartilhe!

Compartilhe sua opinião! Valorizamos os seus comentários.